As mulheres dão menos valor à vida sexual do que os homens? Duas pesquisas publicadas recentemente que
poderiam comprovar essa teoria apimentam o debate. “A importância da internet na economia atual”,
levantamento realizado nos Estados Unidos pela Harris Interactive, com patrocínio da Intel, descobriu que 46%
das mulheres e 30% dos homens preferem ficar sem sexo por duas semanas, do que ficar sem acesso à internet
durante o mesmo período. Quando o levantamento afunila o público para mulheres na faixa etária entre 35 e 44
anos o índice é ainda maior: chega a 52%.
Indícios semelhantes foram encontrados por um outro estudo, o Mosaico Brasil, conduzido pela professora
Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas
da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, com o apoio da Pfizer. Os pesquisadores pediram a
homens e mulheres que enumerassem os itens mais relevantes para a manutenção da qualidade de vida. O
resultado revelou um descompasso entre percepções masculinas e femininas. Os homens de Brasília acreditam
que a atividade sexual satisfatória só é menos importante que o tempo de convivência com a família e a
alimentação saudável. Já para as mulheres da capital, o sexo ocupa o modesto oitavo lugar do ranking — a
mesma posição revelada no levantamento nacional. Mas esses dados indicariam que mulheres apreciam menos
de sexo que os homens? A resposta é tão complexa quanto a alma feminina.
Carmita Abdo, organizadora da pesquisa, por exemplo, avalia que o resultado era esperado. Diz mais: retrata o
momento atual e demostra que, na verdade, as mulheres valorizam o sexo. “Não está tão bem classificado
quanto os homens por que elas precisam estar bem de saúde, felizes com a família e os filhos, despreocupadas
com essas questões para que possam procurar o prazer”, explica. Aos 50 anos, casada há 24, a gerente de
gestão Ana Suely Pinho acredita que o desejo é importante para a felicidade e qualidade de vida, mas revela
que, na fase da vida em que está, o que conta é a cumplicidade e a vivência entre o casal. “Há menos
cobranças do que quando se está com 30 anos, por exemplo. Há momentos para as pessoas em que o sexo
está no auge. Eu busco o equilíbrio”, avalia. Para compreender melhor essa questão, a Revista do Correio
conversou com diversos especialistas e ouviu a opinião de homens e mulheres de diversas idades. E para você?
Quão importante é o sexo?