Kaplan na mídia -  

Sexo cada vez mais cedo 04/04/2009

Vídeo erótico com crianças veiculado na internet provoca escândalo e alerta para os riscos da sexualidade precoce

Suzane Frutuoso, de Ibirubá (RS)

"Sem discutir o que sente, o jovem não dá conta de questões ligadas ao social", diz a psicóloga Isabel Theodoro, coordenadora do Projeto de Orientação Sexual e Prevenção às Drogas do colégio paulistano Pio XII.

Ainda que família e escola se esforcem, uma cultura popular recheada de apelos sexuais complica a situação. Letras de música, filmes, novelas, seriados de tevê apimentados e até o excesso de vaidade na busca por perfeição física permeiam o cotidiano de crianças e adolescentes. "E o tesão é uma força avassaladora da natureza", diz a educadora sexual Maria Helena Vilela, diretora do Instituto Kaplan, de São Paulo. A saída para que esse sentimento poderoso aflore na hora certa é impedir ao máximo que a garotada tenha contato com o bombardeio erótico. Como essa pode ser uma tarefa inglória, os pais devem ficar atentos aos sinais de interesse pelo sexo que os filhos demonstrem e usar a oportunidade para conversar (leia quadro).

Cuidados com a internet, o celular e as câmeras digitais devem ser redobrados. Por mais que meninos e meninas mostrem desenvoltura ao lidar com tecnologia, não significa que eles entendam quanto podem se expor.

Muitos não calculam o real alcance do que cai na rede. "Eles confundem público com privado, vivem na era da imagem e acabam se comprometendo demais. Uma menina que tira foto nua ou seminua e manda para o namorado não é tão raro. Acontece em cada vez mais escolas", diz Estela Zanini, do olégio Bandeirantes. "É mais ingenuidade do que onipotência." É possível instalar programas no computador que bloqueiam determinados sites. Quanto ao celular e às câmeras, basta não ceder aos apelos dos menores (até 12 anos) e procurar orientar ao máximo os mais velhos. "Tem criança de 7 anos com celular de última geração. Pais querem compensar a ausência dando tudo. Eles precisam de tempo para entender os filhos", diz a conselheira tutelar Salete.

Sexo nunca foi tabu na casa da professora carioca Sandra Oliveira, 44 anos.

"Sempre mostrei onde ficavam as camisinhas e falei desde a pré-adolescência sobre prevenção", afirma. Ainda assim, ao descobrir que o caçula L., 15 anos, já tinha vivido a primeira relação sexual com a namorada, de apenas 14 anos, ficou preocupada. "Não é fora do padrão, mas poderia ter esperado mais um pouco", diz. O menino L. liga todos os dias para sua eleita a fim de lembrála do anticoncepcional. "O compromisso é dos dois", acredita o adolescente, que também usa preservativo. "Ele tem de se cuidar porque sabe que aqui em casa tem informação, não dá para vacilar", destaca Sandra.

Mas informação à disposição não é garantia de vida sexual saudável quando se trata de crianças e adolescentes. Pode ser que os pré-adolescentes envolvidos na história de Ibirubá tenham recebido orientação em casa. Ou que estejam sofrendo justamente pelo excesso de "conhecimento" que encontraram por caminhos tortuosos. A certeza hoje é de que eles precisam de tratamento psicológico e da compreensão da sociedade para superarem o trauma de terem a infância roubada por aquilo que consideraram uma brincadeira. Porque seus olhares e expressões continuam refletindo feições de crianças. Agora, assustadas, tristes e sob o peso da difamação. Tão precoce quanto sua iniciação sexual.

Colaboraram: João Loes, Renata Cabral e Verônica Mambrini

 

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