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Aumentam caso de AIDS entre idosos 22/07/2009
São Paulo (AE) – O Ministério da Saúde, as organizações não-governamentais e os médicos infectologistas alertam: homens e mulheres na terceira idade estão fazendo sexo sem prevenção e se contaminando com o vírus da aids. E não é só isso. Os números da doença em pessoas com mais de 50 anos crescem no país como em nenhuma outra faixa etária – de 1993 a 2003, houve um aumento nos casos confirmados de 130% entre os homens e de 396%, entre as mulheres. Uma trajetória ascendente, que contrasta com uma certa estabilização em outras faixas etárias e grupos sociais. Feita a constatação e analisadas as possíveis explicações para o crescimento de portadores do vírus, o Programa Nacional de DST/ Aids e a Coordenação de Saúde do Idoso, ambos ligados ao Ministério da Saúde, firmaram uma parceria e elaboraram um documento que será enviado como referência aos programas estaduais e municipais. O objetivo é incluir os idosos entre os grupos que precisam de atenção especial quanto à prevenção – juntamente com homossexuais, prostitutas, dependentes de drogas injetáveis, jovens heterossexuais que estão iniciando a vida sexual e mulheres casadas. Além disso, a parceria prevê a elaboração de folhetos explicativos, cartilhas para serem distribuídas à população, cartazes e campanhas publicitárias. Tudo desenvolvido com uma linguagem diferente, para conseguir atingir uma população que não está acostumada ao uso do preservativo e se sente imune aos riscos da contaminação. “Nós temos agora uma preocupação muito maior com a aids em pessoas acima de 50 e 60 anos do que tínhamos antes, porque começaram a aparecer muitos casos novos. Pelas estatísticas, com o aumento da expectativa de vida, das oportunidades sociais e dos medicamentos para disfunção erétil, a tendência é esses números aumentarem se nós não fizermos alguma coisa”, afirma Cristina Pimenta, consultora da Unidade de Prevenção do Programa Nacional de DST/Aids. A campanha deverá ficar pronta no segundo semestre e prevê ações que incentivam o uso do preservativo feminino e masculino, com distribuição gratuita em programas voltados para a terceira idade, e a inclusão do teste de HIV nos procedimentos feitos nessa faixa etária. Pelo último boletim epidemiológico do programa, com os dados concluídos de 2003, existem 2.245 homens e 1.261 mulheres com a doença acima dos 50 anos – em 1993, eram 975 e 254, respectivamente. Entre os com mais de 60 anos, a taxa de incidência está em 8,5 para cada 100 mil habitantes para os homens e 3,9 para cada 100 mil, para as mulheres. Números aparentemente pequenos, mas que há uns 15 anos apareciam como traço nas estatísticas e hoje representam 2,5% do total de casos confirmados no Brasil.
Tabu No entanto, segundo quem trabalha com a questão, a prevenção da aids entre os idosos esbarra em preconceitos culturais, associados a uma visão assexuada das pessoas mais velhas. “Ninguém pensa na vovó e no vovô fazendo sexo. Todo mundo promove bailes para terceira idade, viagens, incentiva que eles saiam de casa e não pensam que vai rolar sexo. Mas se estão ativos para dançar, passear e estudar, também estão para namorar”, resume a educadora sexual Maria Helena Vilela, diretora do Instituto Kaplan. Em parceria com o Fundo Social de Solidariedade e a Pfizer, o instituto tem desenvolvido aulas de educação sexual para a terceira idade. Em setembro, fará, juntamente com as unidades do Sesc, um grande evento para orientar os idosos sobre os riscos que correm ao se relacionarem sem preservativos. Pela experiência do instituto, Maria afirma que é mais difícil convencer idosos do que adolescentes sobre os riscos da doença. “Não se pode infantilizar o idoso. Temos de orientar, mostrando que respeitamos a vivência dele, mas dizendo que ele também tem coisas para aprender.”FONTE:http://www.sistemas.aids.gov.br/imprensa/Noticias.asp?NOTCod=63987 |