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Saúde Sexual

Maria Helena Vilela

O DIREITO À SAÚDE SEXUALO cuidado com a saúde sexual deveria estar disponível para a prevenção e tratamento de todos os problemas sexuais, preocupações e desordens.

Preocupação é o que não falta, quando se é um adolescente e a questão é sexualidade. É o tamanho do pênis que parece nunca ser o esperado, os seios que não crescem no mesmo momento que os da amiga, os pequenos lábios vaginais que têm bordas diferentes, a ejaculação que demora a acontecer ou que não consegue ser controlada, a menstruação que vem de forma irregular... Além dessas preocupações com a normalidade do corpo que está em desenvolvimento, quando se iniciam as atividades sexuais, os jovens precisam se ver às voltas com a ansiedade da primeira vez, a sua capacidade de desempenho sexual e o medo da gravidez e de pegar uma DST/Aids.

Todas essas preocupações exigem cuidado. E todo adolescente deve ter seu direito à saúde sexual respeitado. Mas não é isso que acontece na prática. Os que precisam dos serviços públicos, nem sempre encontram, nos Postos de Saúde, profissionais que os acolham; pelo contrário! Muitas vezes, por temerem que o jovem não saiba se prevenir, ou mesmo por não concordarem com a iniciação sexual nessa idade, alguns profissionais da saúde se sentem cúmplices de um "delito" se ajudarem o jovem na sua vida sexual; mesmo que, em alguns casos, seja atender o direito mais simples e propagado - o de obter camisinhas! Quanto àqueles que podem usufruir do atendimento particular, a situação fica ainda mais complicada, pois para ter acesso ao serviço de saúde privado é preciso contar com a compreensão e apoio dos pais, o que , ainda é, para muitos, um desafio difícil de encarar.

Saúde sexual e a relação com pais

Na novela "Páginas da Vida" os conflitos familiares mais freqüentes com relação à sexualidade de um menino e de uma menina foram mostrados.  Os dois personagens, Gisele e Luciano, vivem um estresse característico da relação com seus pais por causa do comportamento sexual: a preocupação exacerbada com a primeira vez do menino e o pânico dos pais quando sua filha começa a transar. Inseguros, sem uma referência de conduta que os tranqüilize, os pais sofrem com as incertezas e a impotência diante de uma nova concepção de vida sexual. Por outro lado, quando isto ocorre, os adolescentes sentem-se magoados e não compreendidos. E, se a primeira vez ainda não aconteceu, eles podem ficar receosos com a perspectiva de vir a desencadear esse estresse familiar e se intimidam quando precisam falar com seus pais, principalmente, quando a conversa é sobre a consulta ao ginecologista/urologista.

Este momento não é fácil para nenhum dos dois – pais e filhos. Mas de uma coisa tenho convicção: é fundamental para a saúde do adolescente que pais e filhos encontrem um caminho para conquistar esta comunicação. Uma dica que tem ajudado muito a conversa entre pais e filhos é ler juntos textos, como por exemplo, os do Sex Tips, e discutir impressões e idéias. Também é possível contar uma história que tenha ocorrido com uma pessoa amiga ou conhecida e conversar com os pais como era a sexualidade na  juventude deles. A situação pode permitir conhecer o que cada um pensa sobre o tema, facilitando o diálogo e a percepção, por parte dos pais, de que sexo (entre adolescentes) não é um bicho de sete cabeças. Ao contrário! Pode ser uma surpresa agradável e uma experiência descontraída.

A falta de comunicação e o estresse em torno da sexualidade do jovem podem motivar a hostilidade, diminuir a auto-estima ou gerar sentimento de culpa e ansiedade, que são fatores que contribuem de forma significativa para o desencadeamento de disfunções sexuais e o aumento da vulnerabilidade à infecção das DST/Aids. Assim, mesmo quando se é jovem, é necessário ficar atento à prevenção das DST/Aids, para não ser vítima de uma dificuldade sexual.

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