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O anel da virgindade

Maria Helena Vilela

O anel da virgindade é um símbolo de pureza adotado por jovens que acreditam que só se deve fazer sexo após o casamento. A idéia nasceu nos Estados Unidos na década de 90 com a formação de um grupo religioso – True love waits – que pregava a abstinência sexual até o casamento, instigando os jovens à pureza sexual na forma de um compromisso. Compromisso esse, relacionado não apenas à abstinência sexual, mas também a evitar qualquer ação que provoque o desejo sexual, como contato com a pornografia, troca de carícias e até mesmo deixar de pensar em sexo.

A história do anel da virgindade

Inicialmente os jovens que aderiam à castidade recebiam uma pulseira de plástico para simbolizar esta filosofia. Depois, o acessório foi trocado por um pingente de prata e, recentemente, a idéia ganhou popularidade com o "anel da pureza" que se tornou o símbolo do Programa Federal dos Estados Unidos para combater as DST/Aids e gravidez na adolescência.

Além de aulas nas escolas, em que os professores ensinam que a abstinência sexual antes do casamento é a melhor maneira de se fazer essa prevenção, o governo recorreu a eventos no estilo de grandes shows de Rock. Nestes, a abstinência era cantada e enaltecida em shows, videoclipes e mensagens bem humoradas. Durante o encontro, os participantes faziam o seu voto de abstinência sexual até o casamento por meio da compra de anéis, que são usados no dedo anelar da mão esquerda.

Este movimento foi expandido para 13 países, entre eles a Inglaterra, onde encontrou resistência. Enquanto alguns adolescentes no Reino Unido abraçaram a mensagem de abstinência, outros rejeitaram e ridicularizam o anel da virgindade por considerarem a proposta anti-sexo irreal. Aqui no Brasil, já existem alguns adeptos deste movimento por influência de alguns artistas internacionais famosos que exibem o anel da pureza, e pelo acesso a sites na internet que vendem o anel, tanto para as meninas como para os meninos. A jóia traz mensagens do tipo "O amor verdadeiro espera você" ou "Uma vida, um só amor".

Direitos

A sexualidade faz parte de todos nós e se desenvolve na relação com as pessoas que admiramos e que nos ensinam valores. Portanto, cada jovem, de acordo com o que acredita, tem o direito de decidir se deseja ou não transar antes do casamento, como também se deve ou não usar o anel da virgindade. As escolhas sexuais das pessoas, meninos ou meninas, devem ser respeitadas.

Durante muitos anos, atribuía-se muito valor à virgindade da mulher; mas isso não era uma decisão dela, ou um estilo de vida adotado por livre escolha. Era uma imposição social, uma condição para a mulher conseguir o casamento. Meninas tinham que ser virgens. E a virgindade não estava apenas ligada ao hímen. Ser virgem significava nunca ter tido nenhum tipo de intimidade sexual, ter o comportamento que hoje é pregado pelo grupo True love waits, nada de pensamentos, palavras ou carícias que provoquem o desejo sexual. Tal "pureza" só se consegue com repressão. Quando se consegue! Será que este grupo de fato acredita no que prega?

Cuidados

A relação sexual não é um ato mecânico, para o qual se fica pronto em instantes, apertando-se um botão. O relacionamento de um casal leva em conta os sentimentos e as emoções decorrentes da educação sexual recebida e das experiências pessoais que cada um pode viver.

Além disso, a abstinência sexual até o casamento não é um método de prevenção, é uma decisão que está cada vez mais difícil de cumprir numa época em que meninas e meninos podem escolher quando querem ter sua primeira vez. A educação sexual que simplesmente proíbe, nega e culpa só contribui para a desinformação e insegurança na hora de fazer escolhas.

Enfim, para escolher o momento certo de transar, não é preciso fazer voto de castidade e usar o anel da virgindade. Basta não se precipitar. Todo jovem pode dizer não, quando achar que ainda não chegou o seu momento. Só por que um quer, o outro não tem de concordar. A relação sexual é mais gostosa quando os dois estão certos do que estão fazendo, usam a camisinha para que o medo de uma gravidez ou doença não perturbe o envolvimento do casal durante e depois da transa; e o principal – aprenderam a curtir o prazer de estar com alguém especial!

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