Artigos

Autonomia Sexual

Maria Helena Vilela

 O direito à autonomia sexual, integridade sexual e à segurança do corpo sexual

 "Este direito envolve a habilidade de uma pessoa em tomar decisões autônomas sobre a própria vida sexual num contexto de ética pessoal e social. Também inclui o controle e o prazer de nossos corpos livres de tortura, mutilação e violência de qualquer tipo."

 Autonomia é o poder de decidir sobre nossas ações, escolher caminhos e alternativas, bem como pôr em prática desejos e ideais, com base em uma análise crítica sobre as mais diversas situações que a vida nos impõe. No entanto   autonomia não deve ser entendida como realizar o que quiser no momento em que o desejo aparece, como, por exemplo, namorar durante a aula.  Agir movido pelo desejo pode ser interpretado como desacato, desrespeito, inconseqüência. Agir de modo autônomo também significa levar em conta o contexto, isto é, o conhecimento das regras e das normas de convivência do local. A autonomia é, portanto, uma tomada de decisão baseada no conhecimento e na capacidade crítica.

 A revolução dos valores sexuais

 A sexualidade não é uma  realidade apenas física; tem também uma dimensão cultural, isto é, sofre influência direta de valores e interesses sociais, religiosos e  econômicos de uma sociedade. Assim, se, por um lado, a gente tem um corpo que está preparado e deseja fazer sexo; por outro, existe uma cultura que define e determina a forma como cada pessoa deve reagir aos desejos sexuais.

Até bem pouco tempo, as normas sociais em relação à sexualidade eram rígidas e fixas para todas as pessoas. Por exemplo, determinava que um casal só poderia fazer sexo após o casamento e tal regra devia ser obedecida por todos. Os desobedientes sofriam sob o peso da condenação do pecado, ou da discriminação social.

Muitos interesses sociais e econômicos se transformaram neste último século com a evolução do conhecimento sobre o corpo e da sexualidade, bem como dos métodos contraceptivos. A disseminação das informações pela mídia e  o acesso às novas tecnologias, como o teste de DNA, desmistificaram muitas crenças e quebraram tabus, chacoalhando os conceitos, os valores e as condições de vulnerabilidade na sexualidade. Hoje, não existem mais regras sociais fixas! Mas, se por um lado, cada um tem o direito de buscar sua satisfação sexual da forma que lhe seja mais conveniente, por outro, tal liberdade exige que cada um desenvolva sua autonomia sexual, levando em conta um código de valores, dentre os quais deve constar o direito de ser feliz, sem ferir o outro, e principalmente, sem utilizar a violência.

Autonomia sexual

A autonomia é importante para se viver sexualmente feliz. Isto vale tanto para a escolha de um namorado(a), quanto para se ter a satisfação sexual, sem correr riscos de uma gravidez ou de comprometer a saúde. Para se ter um comportamento autônomo, aqui vão algumas sugestões que podem nortear suas atitudes:

    * Invista em você – identifique o que você tem de bom e positivo e o que pode fazer para melhorar algumas qualidades que julga importantes. Estar feliz com você é imprescindível para que se valorize. Confie em você e desperte a atenção e o interesse da pessoa amada.

    * Faça escolhas conscientes – experimente por alguns minutos pensar no que deseja para sua vida, a profissão que quer seguir, as coisas que julga importantes para sua felicidade, quando e como vai poder realizá-las, e, em seguida, confronte com seus desejos e atitudes sexuais. O resultado desta reflexão leva a um estado de consciência, o qual permite que você tome decisões sabendo as vantagens e desvantagens de sua escolha, como também os meios de alcançar o seu desejo, amenizando, ou eliminando os riscos.

    * Busque informação sobre sexualidade – conheça seu corpo, saiba como ele responde aos estímulos sexuais, de que forma o sexo acontece, aprenda sobre o corpo do sexo oposto, sobre carícias sexuais, e, na dúvida, use e abuse do SoSex, por e-mail e MSN: sosex@kaplan.org.br. O saber sobre sexo aumenta a capacidade de um bom desempenho sexual.

    * Conheça os meios de prevenção – Nesta sessão de artigos do mês, existem vários textos que falam sobre os métodos contraceptivos, a pílula do dia seguinte e o uso da camisinha masculina e feminina.  A prevenção é o principal indicador de autonomia entre o casal. Se a maioria dos casais se tornarem autônomos no seu comportamento sexual, o número de mulheres contaminadas pelo vírus da AIDS e de gravidez na adolescência irá cair drasticamente. É uma questão de substituir submissão por negociação!

 

R. Indiana, 705 - Brooklin - CEP 04562-001 - São Paulo-SP Tel: 11-5092-5854 E-mail: kaplan@kaplan.org.br