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Igualdade e Privacidade

Maria Helena Vilela

O DIREITO À IGUALDADE SEXUAL - "Liberdade de todas as formas de discriminação, independentemente do sexo, gênero, orientação sexual, idade, raça, classe social, religião, deficiências mentais ou físicas."

Até bem pouco tempo as únicas pessoas que tinham o direito a exercer sua sexualidade no sentido de atender ao desejo sexual, eram os homens adultos, saudáveis e independentes economicamente, para poder sustentar a família. Qualquer pessoa que fugisse a este padrão, ao buscar a sua satisfação sexual, não era vista com bons olhos pela sociedade.  Apesar de o mundo ter mudado muito e existirem muitos avanços na forma como a sociedade encara a sexualidade, ainda é forte a herança cultural que dita preconceitos tão freqüentes no cotidiano que, se prestarmos bem atenção, ficaremos espantados... Muitos comentários maldosos são feitos sobre casais fora do padrão estético idealizado – gente gordinha ou feia – ou sobre casais mais velhos, ou – pior ainda! – comentários que manifestam preconceito racial ou contra portadores de deficiência física ou mental.

 Sexo na adolescência

 O adolescente também não está livre do preconceito e do julgamento da sociedade. A maioria é impossibilitada de ficar a sós com o(a) namorado(a), em local seguro, por isso muitos jovens se expõem em ambientes públicos, sem nenhuma privacidade, movidos pelo desejo sexual.

 É natural na adolescência sentir desejo sexual, beijar, trocar carícias, dizer palavras carinhosas para uma pessoa, imaginar-se em cenas eróticas, masturbar-se, e, inclusive, transar. Não se trata de uma apologia da prática sexual na adolescência, mas de reconhecer os fatos!  E contra os fatos, não há argumentos! Na última pesquisa realizada pela UNESCO foi constatado, mais uma vez, que a idade média da primeira relação sexual dos brasileiros ocorre por volta dos 14 -15 anos. Este é um fato e não uma regra para ser seguida, pois a disposição para o sexo depende dos valores, das oportunidades e das experiências de cada um, portanto  pode ocorrer mais cedo ou mais tarde que a idade média, apontada pela pesquisa. O importante é o jovem estar seguro de sua escolha, consciente da responsabilidade que o ato sexual exige e ter cuidado com a sua privacidade.

 O DIREITO À PRIVACIDADE SEXUAL - "O direito às decisões individuais e aos comportamentos sobre intimidade, desde que não interfiram nos direitos sexuais dos outros."

 Privacidade significa o direito de ficar só. Mas, também quer dizer, poder preservar, guardar informações pessoais, fatos, comunicações e opiniões pessoais. Neste último caso, a privacidade do outro deve ser respeitada, o que significa que ninguém tem direito de invadir a privacidade alheia, a não ser que haja o consentimento de compartilhar algo do mundo privado. Na sexualidade, boa parte do que pensamos, somos ou fazemos, é íntimo. Enquanto algumas funções orgânicas podem ser resolvidas em público, como, por exemplo, comer ou bocejar, o sexo é socialmente considerado uma atividade privada – só diz respeito aos envolvidos. E isso tem uma razão de ser: quando se faz sexo, as pessoas ficam literalmente nuas. Nuas fisicamente, e nuas nas suas emoções, no seu jeito de ser, nos seus desejos. E isto é fundamental para se ter uma vida sexual saudável!

 Os riscos

 O problema é que nem sempre a intimidade fica no mundo privado, mas atinge o mundo público. É comum observarmos encontros amorosos, em que o casal se porta como se ninguém mais existisse, além dos dois envolvidos. Exemplo dessa falta de limites entre o particular e o público são as trocas de carícias, às vezes íntimas demais, na sala de cinema, o "amasso" mais quente na balada, ou mesmo uma "rapidinha" na escadaria do condomínio. Para alguns tais atitudes podem parecer uma grande aventura! Mas, cuidado... Quando não se preserva a própria privacidade, pode-se desenvolver a desconfiança, o medo de ser pego em flagrante, ou mesmo, a ansiedade, devido ao desconforto ou à pressa. Isto pode, no futuro, levar a uma prática sexual frustrante ou mesmo a disfunções sexuais.

 Outro lado do desrespeito ao direito à privacidade é a invasão proporcionada pelas novas tecnologias: Internet, fotolog, MSN, orkut, celular, câmera digital... Enfim, o sistema de informações cada vez mais rápido e eficaz mudou o contexto das relações e, ao invés de garantir sigilo, pode se tornar uma ameaça à privacidade. Quem nunca soube de algum caso de escândalo sexual veiculado na Internet? Por isso, no mundo virtual, todo cuidado é pouco com a sua intimidade.

 

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