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Liberdade Sexual
Maria Helena Vilela "A liberdade sexual diz respeito à possibilidade dos indivíduos em expressar seu potencial sexual. No entanto, aqui se excluem todas as formas de coerção, exploração e abuso em qualquer época ou situação da vida".
Liberdade é o direito de uma pessoa agir segundo sua vontade. Mas, para falar de liberdade também é necessário levar em conta a responsabilidade, já que nossa vida está diretamente condicionada aos impactos que nossas atitudes provocam tanto pessoalmente, quanto no meio social do qual fazemos parte. Portanto, ser livre não significa apenas ter um desejo e realizá-lo, é necessário ter a capacidade de raciocinar e de valorizar de forma inteligente o mundo que nos rodeia para compreender as alternativas de escolha. Assim, liberdade pressupõe conhecimento e poder de tomada de decisão – autonomia. Dois elementos relativamente novos, quando o tema é sexualidade. A Repressão sexual Durante milhares de anos o conhecimento sobre sexualidade era muito pequeno. Basicamente o que se pregava era a função do sexo como forma de procriação. As pessoas que resolvessem transar sem o objetivo de ter filhos eram severamente castigadas. Esta regra valia para ambos os sexos; mas a mulher foi mais reprimida e impedida de expressar o seu desejo sexual. Proibida de estudar e educada para obedecer, a garota era treinada desde cedo a ignorar seu corpo e o desejo sexual. Menina de família podia sonhar com o casamento e em ter filhos; com sexo, jamais! Já o garoto podia até pensar e desejar sexo, mas nunca com a sua namorada ou pretendente à esposa. Com esta só depois do casamento, e mesmo assim, quando havia a intenção de uma gravidez. Durante muitos anos o valor de uma mulher era inversamente proporcional ao interesse sexual que ela demonstrava. Quanto mais puras fossem as atitudes, mais adequada era a moça para o casamento. Como o casamento era um negócio arranjado pela família, e, portanto, a vontade dos noivos não se fazia valer, o julgamento sexual era muito rigoroso. Uma garota que manifestasse qualquer intenção sexual era suspeita de desonra! Meninas tinham que ser virgens. A virgindade não era apenas a questão do rompimento do hímen. Virgem significava nunca ter tido nenhum tipo de intimidade sexual. Para se ter uma idéia, um beijo na boca, até, mais ou menos, uns 50 anos atrás, era uma intimidade que só poderia acontecer quando o casal estivesse de casamento marcado. E, se por um acaso este casamento não se realizasse, esta mulher, praticamente, não tinha nenhuma chance de conseguir um outro pretendente a marido. Estava fadada a ser solteirona! Uma mulher fracassada! Na minha terra, em Maceió, se dizia que a mulher ia para o caritó. Caritó é o tanque onde os caranguejos são colocados para engordar e depois, serem colocados na panela! Pois bem, para uma mulher solteira, antigamente, o destino era o mesmo: engordar e morrer! Revolução sexual Os anos se passaram e a história foi mudando. Guerras, novos descobertas científicas e movimentos sociais marcaram a conquista do direito da mulher em adquirir os mesmos conhecimentos do homem e possibilitou que ela ocupasse um maior espaço no mercado de trabalho. Este fato mudou o horizonte da mulher. Agora, mesmo que ela não case, ela tem outros papéis na sociedade – professora, médica, engenheira, política, líder comunitária... Além disso, desencadeou interesses no conhecimento científico sobre a fisiologia do sexo e da reprodução, derrubando uma série de tabus e, principalmente, proporcionando o sexo sem o risco de gravidez, com a descoberta da pílula anticoncepcional nos anos 60. Assim, o conhecimento sobre sexualidade e a autonomia de ambos os sexos desencadearam uma série de movimentos sociais – feministas, hippie, gays... – que levaram à conquista da liberdade sexual. Hoje, o jovem tem o direito de manifestar o seu desejo sexual, escolher seus namorados e decidir, sozinho, sem que haja a pressão do parceiro, ou mesmo do grupo, se deseja ou não fazer sexo. Cada pessoa tem o poder sobre si mesmo e a responsabilidade sobre seus atos. |