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Do prazer à responsabilidade

Do prazer à responsabilidade

Maria Helena Vilela

O DIREITO AO PRAZER SEXUALprazer sexual, incluindo auto-erotismo, é uma fonte de bem estar físico, psicológico, intelectual e espiritual.

Um beijo, uma carícia especial... E pronto!!! O cérebro é invadido por uma onda gigantesca de excitação que leva a pessoa ao prazer sexual. A explicação para o prazer se esconde atrás de algumas minúsculas partículas químicas encontradas no organismo chamadas endorfinas, substâncias naturais produzidas pelo cérebro que nos relaxam e preservam da dor e que dão enorme prazer. A endorfina foi descoberta e começou a ser estudada em meados da década de 70, causando tanto entusiasmo nos cientistas que acabou recebendo o nome de "droga da felicidade". E não é para menos. Este hormônio afeta mecanismos cerebrais que controlam o humor, a resistência ao estresse e à dor, várias sensações de prazer e até o sistema imunológico.

As endorfinas podem ser produzidas durante várias situações, mas é na atividade sexual que este hormônio, capaz de causar bem-estar e relaxamento, é especialmente liberado. A química do prazer não pára por aí. As endorfinas não são os únicos hormônios produzidos pelo corpo antes, durante e após o ato sexual. Há também intensa produção de adrenalina, de testosterona, de estrogênio e do hormônio do crescimento, entre vários outros. Este caldeirão químico, associado a uma cadeia de processos físicos e psico-emocionais que começam a interagir logo no despertar do desejo sexual, produzem no indivíduo uma especial sensação de bem-estar que torna a atividade sexual fundamental para a saúde e para a qualidade vida.

O DIREITO À EXPRESSÃO SEXUALA expressão sexual é mais que um prazer erótico ou atos sexuais. Cada indivíduo tem o direito de expressar a sexualidade através da comunicação, toques, expressão emocional e amor.

O prazer sexual é apenas o acorde final da grandiosa sinfonia, chamada relação sexual. Para que ele aconteça, outras emoções e comportamentos precisam ser apresentados, anterior ou concomitante ao prazer – a expressão sexual. É ela a responsável pelo encontro sexual e amoroso. É no cantarolar uma música, num sorriso, no tom da voz, no jeito de dançar, no perfume que se usa, no humor, numa brincadeira, em tudo isso há um encantamento que chama a atenção do outro e desperta a afetividade e o desejo sexual.

Num casal, os indivíduos devem compartilhar seus desejos, dizendo um ao outro do que gostam sexualmente, conversando sobre as fantasias, ensinando ao outro os segredos do corpo e tocando o outro do jeito que lhe agrada; enfim, revelando-se para que o outro descubra o caminho do prazer. É na descontração da manifestação dos interesses sexuais e no desprendimento do medo de julgamento que se dá o envolvimento sexual do casal e o sucesso do relacionamento..

O DIREITO À LIVRE ASSOCIAÇÃO SEXUALsignifica a possibilidade de casamento ou não, ao divórcio, e ao estabelecimento de outros tipos de associações sexuais responsáveis.

Tradicionalmente, o casamento significava a permissão oficial para se fazer sexo,  pelo menos para as mulheres. Por isso, ainda hoje uma boa parte das meninas sonha com o casamento. No entanto, hoje, a autorização sexual não é ditada tão fortemente pela sociedade mas está relacionada a cada um nós. Não é mais preciso estar casado para poder transar, aliás, em alguns casos, não é necessário nem estar namorando! Casar é uma opção para aqueles que desejam formalizar a união, um ritual de passagem que ajuda o casal a assumir mais rapidamente os papéis de marido e esposa, uma das formas de se ligar sexualmente a alguém.

Entretanto, como nem sempre, a história de um casal é igual à de contos de fadas, pode acontecer de não serem o marido e a mulher felizes para sempre. Quando isto acontece, o divórcio pode ser a solução. A lei do divórcio foi aprovada em 1977 e a partir de então é que a livre associação ficou estabelecida. Pois, junto com o divórcio, também ocorreu uma maior flexibilidade da sociedade para aceitar que o casal pudesse morar junto, ou "estar junto" morando em casas separadas. Evidentemente ainda há a interferência e o julgamento da sociedade, mas a liberdade de escolha é maior. As pessoas podem  escolher a melhor maneira de conviver (amar, transar) com a pessoa amada, de acordo com seu desejo e sua consciência.

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